Na primeira parte desse artigo. Apontei a crise de
identidade teológica que estamos a viver no meio evangélico e as opções
emergentes que tem sido apresentadas ao evangelicalismo brasileiro. Como as
propostas não são tão saudáveis e/ou fiéis as Escrituras e a ortodoxia cristã
segue abaixo a minha proposta.
Primeiro é importante destacar que nenhum
sistema teológico é suficiente para abranger a totalidade de Deus e de sua
revelação, contudo se faz necessário para que não sejamos levados por “ventos
de doutrinas” e possamos estabelecer uma cosmovisão (visão de mundo) que nos
capacite a ter um comportamento coerente com a vontade de Deus revelada,
principalmente nas Escrituras Sagradas.
Sistema
Teológico Armínio-Wesleyana
A linha teológica armínio-wesleyana,
resumidamente, defende a universalidade do amor, da bondade, da justiça e da
graça de Deus, assim como a possibilidade de viver uma vida em obediência santa
e amor verdadeiro a Deus, através do enchimento do Espírito Santo.
Essa visão ortodoxa e teológica da Bíblia
possibilitou na história da igreja cristã vivermos um tempo e uma qualidade de
vida espiritual e social semelhante a experimentada pela igreja primitiva
registrada no livro de Atos dos Apóstolos.
João Wesley e seu irmão Carlos Wesley,
principais promulgadores dessa teologia promoveram, pelo poder e graça de Deus,
grandes impactos e transformações que superaram a experiência interior e
levaram a uma mudança na sociedade de sua época. A influência dessa teologia
foi um dos principais instrumentos para a abolição da escravatura através de
William Willberforce, livrou a Inglaterra da carnificina ocorrida na França,
gerou uma gama de missionários que forjaram o caráter cristão protestante nos
Estados Unidos da América e possibilitaram a diminuição de desigualdades
sociais na sociedade e dentro da igreja promovendo na prática o sacerdócio
universal permitindo que membros leigos da igreja ministrassem a Palavra de
Deus e desenvolvesse seus dons e ministérios.
Esse avivamento ficou conhecido na
história como movimento wesleyano e foi uma reforma da igreja que
verdadeiramente veio de baixo para cima e deu acesso aos pobres e excluídos
acesso a verdade e benefícios do Evangelho.
Nesse momento de transição de paradigmas
teológicos não precisamos de modismos ou de uma “nova unção” teológica.
Precisamos é voltar para as Escrituras e procurar um modelo que mais no conduza
a viver a integralidade do Evangelho de Cristo. O movimento wesleyano foi o que
mais se aproximou dentro da história protestante e não cometeu os excessos que
os primeiros reformadores cometeram como Lutero ao perseguir judeus e
camponeses e Calvino a autorizar e condenar Miguel de Servetus a morte por
heresia.
Encorajo a todos os leitores desse
artigo a se debruçarem em estudar a história e a teologia do movimento
wesleyano do século XVIII e seu desdobramento no século XIX através do
movimento de santidade e perceberão que ainda há “sete mil que não dobraram os
joelhos diante de baal” e que temos alternativas cristãs e bíblicas além dos
excessos do neopentecostalismo e o racionalismo engessado do tradicionalismo
sem ter que recorrer aos modismos importados que tem destruído as igrejas na
Europa e Estados Unidos, tais como os neo-judaizantes, a hiper-graça ou o
neo-calvinismo.
A
Deus toda Glória!
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