quarta-feira, 11 de junho de 2014

Identidade Teológica - parte 2


     Na primeira parte desse artigo. Apontei a crise de identidade teológica que estamos a viver no meio evangélico e as opções emergentes que tem sido apresentadas ao evangelicalismo brasileiro. Como as propostas não são tão saudáveis e/ou fiéis as Escrituras e a ortodoxia cristã segue abaixo a minha proposta.

      Primeiro é importante destacar que nenhum sistema teológico é suficiente para abranger a totalidade de Deus e de sua revelação, contudo se faz necessário para que não sejamos levados por “ventos de doutrinas” e possamos estabelecer uma cosmovisão (visão de mundo) que nos capacite a ter um comportamento coerente com a vontade de Deus revelada, principalmente nas Escrituras Sagradas.

      Sistema Teológico Armínio-Wesleyana

      A linha teológica armínio-wesleyana, resumidamente, defende a universalidade do amor, da bondade, da justiça e da graça de Deus, assim como a possibilidade de viver uma vida em obediência santa e amor verdadeiro a Deus, através do enchimento do Espírito Santo.

    Essa visão ortodoxa e teológica da Bíblia possibilitou na história da igreja cristã vivermos um tempo e uma qualidade de vida espiritual e social semelhante a experimentada pela igreja primitiva registrada no livro de Atos dos Apóstolos.

      João Wesley e seu irmão Carlos Wesley, principais promulgadores dessa teologia promoveram, pelo poder e graça de Deus, grandes impactos e transformações que superaram a experiência interior e levaram a uma mudança na sociedade de sua época. A influência dessa teologia foi um dos principais instrumentos para a abolição da escravatura através de William Willberforce, livrou a Inglaterra da carnificina ocorrida na França, gerou uma gama de missionários que forjaram o caráter cristão protestante nos Estados Unidos da América e possibilitaram a diminuição de desigualdades sociais na sociedade e dentro da igreja promovendo na prática o sacerdócio universal permitindo que membros leigos da igreja ministrassem a Palavra de Deus e desenvolvesse seus dons e ministérios.

      Esse avivamento ficou conhecido na história como movimento wesleyano e foi uma reforma da igreja que verdadeiramente veio de baixo para cima e deu acesso aos pobres e excluídos acesso a verdade e benefícios do Evangelho.

      Nesse momento de transição de paradigmas teológicos não precisamos de modismos ou de uma “nova unção” teológica. Precisamos é voltar para as Escrituras e procurar um modelo que mais no conduza a viver a integralidade do Evangelho de Cristo. O movimento wesleyano foi o que mais se aproximou dentro da história protestante e não cometeu os excessos que os primeiros reformadores cometeram como Lutero ao perseguir judeus e camponeses e Calvino a autorizar e condenar Miguel de Servetus a morte por heresia.

       Encorajo a todos os leitores desse artigo a se debruçarem em estudar a história e a teologia do movimento wesleyano do século XVIII e seu desdobramento no século XIX através do movimento de santidade e perceberão que ainda há “sete mil que não dobraram os joelhos diante de baal” e que temos alternativas cristãs e bíblicas além dos excessos do neopentecostalismo e o racionalismo engessado do tradicionalismo sem ter que recorrer aos modismos importados que tem destruído as igrejas na Europa e Estados Unidos, tais como os neo-judaizantes, a hiper-graça ou o neo-calvinismo.

A Deus toda Glória!
     


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