quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Eu Sou um Frustrado

Eu confesso: "sou um frustrado". Descobri que Deus é um mestre em privar as pessoas de seus sonhos e projetos e preciso externalizar isso antes que eu sufoque com esta realidade da vida que me assombra. Falo de minha experiência pessoal, entretanto sei que abrange todos, senão muitos dos que O servem verdadeiramente.

Desde minha infância sempre tive uma convicção dentro de mim que seria alguém bem sucedido. Apesar de uma estética franzina e uma timidez exagerada sabia que era um projeto promissor.

Criado com bons valores morais, dedicado aos estudos e uma família que, apesar de pobre, na medida do possível, me proporcionava as melhores condições para que um dia eu fosse alguém na vida.

Meu pai tinha o sonho de ver seu filho como empresário e advogado, minha mãe só queria que eu fosse feliz e eu não colocava limites para as possibilidades.

Busquei em religiões respostas as recorrentes angustias existenciais e elas me anestesiaram por algum tempo.

Enfim, cresci. Consegui concluir minha faculdade de administração e uma especialização em Gestão de Projetos. Neste ínterim consegui bons estágios e empregos. Trabalhei em uma grande empresa e galguei cargos de chefia, fui crescendo, tinha grandes perspectivas, porém...

Jesus tinha entrado em minha vida e virou ela do avesso: fez uma revolução.

Eu sempre achava que eu era o centro do universo e Ele me tirou isso. Eu achava que era uma boa pessoa e percebi que na verdade era um egoísta pecador e que tinha virado as costas para Deus. Queria que Ele me protegesse e fizesse a minha vontade, da minha maneira, no meu tempo. Queria ser deus. Percebi então, que havia cometido o mesmo erro de Lúcifer, satanás, que quis ser adorado como Deus.

Ele se meteu em tudo na minha vida: Família, namoro, projetos, finanças... E mudou tudo!

Talvez agora eu fosse um grande administrador viajando o Brasil inteiro representando minha empresa. Estaria nos melhores hotéis do país, quiçá do mundo. Usufruindo e realizando meus prazeres mais escondidos e escusos.

Atualmente, quando olho a minha volta, não vejo riquezas materiais em abundância nem luxo, contudo, vejo muitas vidas transformadas, contemplo famílias reconstruídas, pessoas libertas dos mais variados vícios, saindo do mundo do crime e da miséria, outras sendo consoladas e fortalecidas e, principalmente, pessoas se reconciliando com seu Criador.

Quando vislumbro o futuro fico estupefato com as grandezas das coisas de Deus para mim. Compreendo a realidade da Palavra de Deus que diz: "nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no coração humano o que Deus preparou para aqueles que o amam" (I Coríntios 2:9)  

Hoje, olho para trás e percebo como sou frustrado. Todos os meus projetos egoístas, autocentrados, meu andar a passos largos para longe de Deus e para perto do inferno foram frustrados por Deus. Ele interrompeu minha vida vazia, insossa e sem sentido e me revelou os céus e os tesouros eternos.

Eu confesso: sou um frustrado... Graças a Deus!        


terça-feira, 11 de setembro de 2012

EU SOU DE UMA ÉPOCA...

... em que limpar a igreja era um prazer e privilégio e não uma obrigação;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que todos os dias se tinha programação nas igrejas ou nos lares e ninguém achava isso cansativo ou enfadonho;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que a família estava sempre junta na igreja e não se restringiam em mandar apenas os filhos;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que faltar uma Santa Ceia gerava o mesmo sentimento de negar a Cristo;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que as pessoas tinham vergonha de chegar atrasadas no culto a Deus;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que chupar bala durante o culto era falta de reverência (hoje se joga papel no chão e cola-se chiclete na cadeira);

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que entrar na igreja de bermuda e chinelo era falta de respeito e fazer da igreja desfile de moda era vaidade;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que as pessoas se preocupavam mais em agradar a Deus do que as outras pessoas;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que ser uma pessoa de caráter e honesta era melhor do que ter muitos bens;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que os fins não justificavam os meios;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que a Ética era mais importante que a Estética;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que a igreja não precisava pagar pedreiro, pintor ou eletricista, pois os próprios irmãos doavam seu tempo e trabalho;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que não havia redes sociais e telefone era coisa de pessoas ricas, mas havia mais conversa, parceria e amizades verdadeiras;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que as pessoas se alegravam com a vitória do seu irmão;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que eu poderia contar meus erros e pecados para o meu irmão e encontraria um ombro amigo que me ajudasse a vencê-los;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que o Evangelho era Cruz e não prosperidade;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que trabalhar muito e falta de tempo não era desculpa para não ir a igreja ou servir a Deus, pois Deus nunca chamou desocupados;

EU SOU DE UMA ÉPOCA...
... em que os problemas da vida não eram desculpa para abandonar Deus e a igreja, pois Jesus sofreu afrontas muito maiores...  

Excertos da Mensagem do Culto de Santa Ceia em 09.09.12.

sábado, 4 de agosto de 2012

Que Poema de Fernando Pessoa é Você?

Outro teste muito interessante. Que poema de Fernando Pessoa é Você?

Faça o seu teste e descubra. Meu resultado segue abaixo, contudo confesso que prefiro o poema INFANTE que começa assim:

"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce...".

Segue link para o teste: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/testes/que-poema-de-fernando-pessoa-e-voce.shtml?


Resultado
Fernando Pessoa
Foto:

O poeta é um fingidor, Fernando Pessoa (ele mesmo)
“O poeta é um fingidor,
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.”
( “Autopsicografia”; 1930)

Fernando Pessoa dizia de si próprio que era “... um outro, enquanto poeta, outro que usava seu nome, mas não era ele”. Aos amigos, quando perguntavam sobre a vasta (e diversa) produção poética, respondia “... eu não sou ninguém e sou todos eles”. Profundamente ligado à mãe e à pátria portuguesa, Fernando Pessoa não é um tipo melancólico, mas sim romântico. Consciente da musicalidade das palavras, chama os poemas assinados como Fernando Pessoa de “Cancioneiro”. Poeta de dimensão mística, o único livro que publicou em vida recebeu o nome de “Mensagem”, uma tentativa de narrar a História de Portugal a partir do lado oculto.

Para saber mais sobre Fernando Pessoa e seus heterônimos, leia aentrevista com Fernando Segolin, professor de Pós-Graduação de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP e “pessoano” por excelência
Ricardo Reis
Foto: Reprodução

Boca Roxa e Sim, Ricardo Reis
“Bocas roxas de vinho,
Testas brancas sob rosas,
Nus, brancos antebraços
Deixados sobre a mesa;

Tal seja, Lídia, o quadro
Em que fiquemos, mudos,
Eternamente inscritos
Na consciência dos deuses.

Antes isto que a vida
Como os homens a vivem
Cheia da negra poeira
Que erguem das estradas.

Só os deuses socorrem
Com seu exemplo aqueles
Que nada mais pretendem
Que ir no rio das coisas.
(“Bocas Roxas”, 08/1915)

e

“Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.”
(“Sim”; 07/1931)

Ricardo Reis é o poeta clássico, de formação católica rígida e monarquista. Entre os heterônimos, tem o temperamento mais “certinho”. Sua poesia transpira fatalismo, de quem se sente marcado pelo fado antes mesmo do nascer. Por isso, acredita Reis, o melhor a fazer é aceitar o que acontece e levar a vida sem grandes alegrias, nem tristezas, evitando as paixões, porque elas passam e causam sofrimento.

Para saber mais sobre Fernando Pessoa e seus heterônimos, leia aentrevista com Fernando Segolin, professor de Pós-Graduação de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP e “pessoano” por excelência

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Que Livro é Você?


      Não posso deixar de compartilhar o link do site "Educar para Crescer" com um teste com 10 breves perguntas que visa identificar que livro nacional você seria. 

      Segue abaixo o resultado do meu teste: 

Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra.







Resultado
João Cabral de Melo Neto
Foto: Divulgação

"Morte e vida severina", de João Cabral de Melo Neto
Às vezes você tem uma séria vontade de estapear as pessoas, só para fazê-las acordarem e perceberem as injustiças deste mundo. Como podem viver em seus mundinhos banais, quando há quem passe fome e totalmente à margem de qualquer conforto ou assistência? Esta talvez seja a sua maior revolta. Por isso, você tenta fazer a sua parte. Talvez por meio de um trabalho voluntário, participando de movimentos populares ou somente se exaltando em rodas de amigos menos engajados. De qualquer maneira, você consegue de fato comover pessoas com seu discurso apaixonado e, ao mesmo tempo, baseado numa lógica de compaixão e igualdade que ninguém pode negar.
Essa missão é mais do que cumprida pelo belo "Morte e vida severina"(1966), poema dramático escrito pelo pernambucano Melo Neto que se tornou símbolo para uma geração em conflito com as consequências sociais geradas pelo capitalismo selvagem.

Televisão, Internet e Autonomia


      Como pastor e cidadão sempre me preocupei com a influência que a televisão tem sobre as pessoas. Os valores ensinados, a qualidade da informação, o sensacionalismo, o arrefecimento do senso crítico, o entretenimento e a cultura vulgar, os apelos quase que compulsórios dos comerciais e a manipulação da massa. Depois veio o boom da internet e das redes sociais com nossas crianças tendo acesso aos conteúdos inadequados para a idade, o perigo de aliciamento, pornografia e crimes digitais. Contudo, tenho uma visão positiva da transição ou simultaneidade da utilização da internet em relação aos programas de TV. Considerados os dados do censo 2010 e do Ibope já temos um índice de 43% dos brasileiros com acesso a web. Sempre defendi o desenvolvimento de um senso crítico e de autonomia por parte de todos, com o objetivo de gerar pessoas mais questionadoras e preparadas para interagirem de forma consciente e sadia diante dos desafios da vida. Simplesmente criticar os meios de comunicação ou tentar cercear a utilização deles sem proporcionar um entendimento do impacto e de suas influências negativas não vão proporcionar um resultado saudável.
    Percebi então, um grande diferencial da web em contraponto com a televisão. Enquanto esta utiliza de uma comunicação unilateral tornando seus telespectadores passivos; a internet, por sua vez, permite, instiga e até exige uma interatividade, se transformando em uma ferramenta útil para a formação de discernimento e ponderação sobre as informações recebidas. Por exemplo: quando leio um artigo, uma notícia ou ouço uma música, posso imediatamente expressar minha opinião a respeito do assunto no campo “comentário”. Até nas mídias sociais posso dizer se “curti” ou não determinado tópico. Um instrumento tão sutil, mas que nos tira da passividade televisiva e nos leva à interação.
      Evidentemente, não sou ingênuo a ponto de dizer que a utilização da internet vai promover a salvação cultural e educacional do povo brasileiro, entretanto, percebo que permitirá aos indivíduos serem mais participantes e menos alienados em relação aos acontecimentos à sua volta. Por isso, considero interessante termos uma ação mais proativa e de caráter prático com relação as mídias sociais. Ao invés de nos restringirmos em criticar os conteúdos e os problemas gerados pela web, devemos, dentro do nosso campo de influência, direcionar e despertar nas pessoas o interesse  de desfrutar da internet de maneira que promova um crescimento e aprendizado contínuo.     
   

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Os Evangélicos na Baixada Fluminense

      No dia 20/07/12 o jornal Extra, inspirado no resultado do Censo 2010, noticiou que a maioria da população da Baixada Fluminense no Rio de Janeiro é evangélica. Como cristão e morador da região, especificamente Belford Roxo, fiquei contente com a informação. Entretanto, comecei a me questionar sobre qual a posição da igreja em sua relação com a sociedade, principalmente na Baixada Fluminense. Destacou-se na entrevista que a baixa renda da população e a falta de opções de lazer são supridas pelas igrejas com louvores, passeios e festividades. Outras igrejas, na tentativa de não perder seus membros, principalmente os jovens, para atividades e práticas chamadas mundanas transformam suas igrejas em lanchonetes, restaurantes e, se chega ao ponto de termos bares, boates, baladas gospel e por aí vai. 
      As igrejas devem, por todos os meios lícitos e apropriados, utilizar de estratégias para alcançar vidas para Cristo Jesus; todavia temos que ter também uma visão de longo prazo. Será que se nós criarmos uma cidade-igreja dentro da cidade-secular, ou seja, um gueto de pessoas evangélicas não estaremos alienando o povo de Deus?.
      Atualmente, percebo cristãos evangélicos em nossa região que não conseguem ter um relacionamento saudável com as variadas formas de expressão cultural, com questões de  política e cidadania, apresentam baixo nível de escolaridade, são intolerantes com pessoas de outra religião e até mesmo com pessoas não cristãs de suas próprias famílias. Como pastor, inserido nesta região, percebo que este é o principal comportamento que a  igreja, em geral tem aplicado: criado uma redoma de vidro em volta das pessoas e das igrejas para "protegerem-nas" do mundo. 
      A Bíblia diz que as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja. Somos nós que estamos a atacar e influenciar o governo corrompido deste mundo. Se nos isolarmos estaremos fazendo um desserviço e negando a tarefa central da igreja que é transformar o mundo através da nossa relação com ele. Porque o evangelho é Deus em Cristo reconciliando consigo o mundo (II Co. 5:19).
      Sabemos que na Baixada Fluminense a igreja se torna o centro da vida social e cultural de muitas pessoas. Se quisermos manter o crescimento dos cristãos evangélicos em todo o país e na região precisamos caminhar em busca de um novo modelo de igreja que incentive a participação mais ativa do povo evangélico na sociedade de forma cidadã e consciente. O método isolacionista tem levado muitos grupos a se distanciarem do evangelho; destaco isso pelo aumento do número de pessoas ditas evangélicas, mas sem igrejas, chegando a 14% dos evangélicos nesta situação. Assim como as pessoas com maior grau de instrução e que têm acesso a outros tipos de lazer e cultura e interagem com o mundo que por muitas vezes é endemonizado por este tipo de comportamento.
      Não tenho dúvidas das benesses que a igreja evangélica tem proporcionado no mundo em geral, mais especificamente na Baixada Fluminense, tais como inclusão social, apoio espiritual, psicológico e material e reestruturação de famílias. Contudo precisamos ter uma visão mais profunda do evangelho, onde as pessoas possam se relacionar com todas as esferas da sociedade, tais como: religião, política, cultura, educação e lazer sem criar um ser humano alienado que tenha uma fé restrita capaz de mudar o indivíduo, mas inócua na transformação da sociedade.