sábado, 4 de agosto de 2012

Que Poema de Fernando Pessoa é Você?

Outro teste muito interessante. Que poema de Fernando Pessoa é Você?

Faça o seu teste e descubra. Meu resultado segue abaixo, contudo confesso que prefiro o poema INFANTE que começa assim:

"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce...".

Segue link para o teste: http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/testes/que-poema-de-fernando-pessoa-e-voce.shtml?


Resultado
Fernando Pessoa
Foto:

O poeta é um fingidor, Fernando Pessoa (ele mesmo)
“O poeta é um fingidor,
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.”
( “Autopsicografia”; 1930)

Fernando Pessoa dizia de si próprio que era “... um outro, enquanto poeta, outro que usava seu nome, mas não era ele”. Aos amigos, quando perguntavam sobre a vasta (e diversa) produção poética, respondia “... eu não sou ninguém e sou todos eles”. Profundamente ligado à mãe e à pátria portuguesa, Fernando Pessoa não é um tipo melancólico, mas sim romântico. Consciente da musicalidade das palavras, chama os poemas assinados como Fernando Pessoa de “Cancioneiro”. Poeta de dimensão mística, o único livro que publicou em vida recebeu o nome de “Mensagem”, uma tentativa de narrar a História de Portugal a partir do lado oculto.

Para saber mais sobre Fernando Pessoa e seus heterônimos, leia aentrevista com Fernando Segolin, professor de Pós-Graduação de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP e “pessoano” por excelência
Ricardo Reis
Foto: Reprodução

Boca Roxa e Sim, Ricardo Reis
“Bocas roxas de vinho,
Testas brancas sob rosas,
Nus, brancos antebraços
Deixados sobre a mesa;

Tal seja, Lídia, o quadro
Em que fiquemos, mudos,
Eternamente inscritos
Na consciência dos deuses.

Antes isto que a vida
Como os homens a vivem
Cheia da negra poeira
Que erguem das estradas.

Só os deuses socorrem
Com seu exemplo aqueles
Que nada mais pretendem
Que ir no rio das coisas.
(“Bocas Roxas”, 08/1915)

e

“Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.”
(“Sim”; 07/1931)

Ricardo Reis é o poeta clássico, de formação católica rígida e monarquista. Entre os heterônimos, tem o temperamento mais “certinho”. Sua poesia transpira fatalismo, de quem se sente marcado pelo fado antes mesmo do nascer. Por isso, acredita Reis, o melhor a fazer é aceitar o que acontece e levar a vida sem grandes alegrias, nem tristezas, evitando as paixões, porque elas passam e causam sofrimento.

Para saber mais sobre Fernando Pessoa e seus heterônimos, leia aentrevista com Fernando Segolin, professor de Pós-Graduação de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP e “pessoano” por excelência

Um comentário:

  1. Apontamento, Álvaro de Campos
    “A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
    Caiu pela escada excessivamente abaixo.
    Caiu das mãos da criada descuidada.
    Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

    Asneira? Impossível? Sei lá!
    Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
    Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

    Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
    Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
    E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

    Não se zanguem com ela.
    São tolerantes com ela.
    O que era eu um vaso vazio?

    Olham os cacos absurdamente conscientes,
    Mas conscientes de si mesmo, não conscientes deles.
    Olham e sorriem.
    Sorriem tolerantes à criada involuntária.

    Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
    Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
    A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
    Um caco.
    E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.
    (“Apontamento”; 1929)

    Cosmopolita, trilíngue (inglês e francês, além do português natal), alma andarilha, Álvaro de Campos é o oposto de Caeiro. Gosta das máquinas e engrenagens e das sensações da grande cidade – esse é o seu lado eufórico. Mas também é o heterônimo de Pessoa que mais se desiludiu com a própria poesia, admitindo que tudo o que escreveu não passou de palavras, ilusão.

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