quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Os Evangélicos na Baixada Fluminense

      No dia 20/07/12 o jornal Extra, inspirado no resultado do Censo 2010, noticiou que a maioria da população da Baixada Fluminense no Rio de Janeiro é evangélica. Como cristão e morador da região, especificamente Belford Roxo, fiquei contente com a informação. Entretanto, comecei a me questionar sobre qual a posição da igreja em sua relação com a sociedade, principalmente na Baixada Fluminense. Destacou-se na entrevista que a baixa renda da população e a falta de opções de lazer são supridas pelas igrejas com louvores, passeios e festividades. Outras igrejas, na tentativa de não perder seus membros, principalmente os jovens, para atividades e práticas chamadas mundanas transformam suas igrejas em lanchonetes, restaurantes e, se chega ao ponto de termos bares, boates, baladas gospel e por aí vai. 
      As igrejas devem, por todos os meios lícitos e apropriados, utilizar de estratégias para alcançar vidas para Cristo Jesus; todavia temos que ter também uma visão de longo prazo. Será que se nós criarmos uma cidade-igreja dentro da cidade-secular, ou seja, um gueto de pessoas evangélicas não estaremos alienando o povo de Deus?.
      Atualmente, percebo cristãos evangélicos em nossa região que não conseguem ter um relacionamento saudável com as variadas formas de expressão cultural, com questões de  política e cidadania, apresentam baixo nível de escolaridade, são intolerantes com pessoas de outra religião e até mesmo com pessoas não cristãs de suas próprias famílias. Como pastor, inserido nesta região, percebo que este é o principal comportamento que a  igreja, em geral tem aplicado: criado uma redoma de vidro em volta das pessoas e das igrejas para "protegerem-nas" do mundo. 
      A Bíblia diz que as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja. Somos nós que estamos a atacar e influenciar o governo corrompido deste mundo. Se nos isolarmos estaremos fazendo um desserviço e negando a tarefa central da igreja que é transformar o mundo através da nossa relação com ele. Porque o evangelho é Deus em Cristo reconciliando consigo o mundo (II Co. 5:19).
      Sabemos que na Baixada Fluminense a igreja se torna o centro da vida social e cultural de muitas pessoas. Se quisermos manter o crescimento dos cristãos evangélicos em todo o país e na região precisamos caminhar em busca de um novo modelo de igreja que incentive a participação mais ativa do povo evangélico na sociedade de forma cidadã e consciente. O método isolacionista tem levado muitos grupos a se distanciarem do evangelho; destaco isso pelo aumento do número de pessoas ditas evangélicas, mas sem igrejas, chegando a 14% dos evangélicos nesta situação. Assim como as pessoas com maior grau de instrução e que têm acesso a outros tipos de lazer e cultura e interagem com o mundo que por muitas vezes é endemonizado por este tipo de comportamento.
      Não tenho dúvidas das benesses que a igreja evangélica tem proporcionado no mundo em geral, mais especificamente na Baixada Fluminense, tais como inclusão social, apoio espiritual, psicológico e material e reestruturação de famílias. Contudo precisamos ter uma visão mais profunda do evangelho, onde as pessoas possam se relacionar com todas as esferas da sociedade, tais como: religião, política, cultura, educação e lazer sem criar um ser humano alienado que tenha uma fé restrita capaz de mudar o indivíduo, mas inócua na transformação da sociedade.           

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