As igrejas
devem, por todos os meios lícitos e apropriados, utilizar de estratégias para
alcançar vidas para Cristo Jesus; todavia temos que ter também uma visão de
longo prazo. Será que se nós criarmos uma cidade-igreja dentro da
cidade-secular, ou seja, um gueto de pessoas evangélicas não estaremos
alienando o povo de Deus?.
Atualmente,
percebo cristãos evangélicos em nossa região que não conseguem ter um relacionamento
saudável com as variadas formas de expressão cultural, com questões de política e cidadania, apresentam baixo nível
de escolaridade, são intolerantes com pessoas de outra religião e até mesmo com
pessoas não cristãs de suas próprias famílias. Como pastor, inserido nesta região,
percebo que este é o principal comportamento que a igreja, em geral tem aplicado: criado uma
redoma de vidro em volta das pessoas e das igrejas para "protegerem-nas" do
mundo.
A Bíblia
diz que as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja. Somos nós que
estamos a atacar e influenciar o governo corrompido deste mundo. Se nos
isolarmos estaremos fazendo um desserviço e negando a tarefa central da igreja
que é transformar o mundo através da nossa relação com ele. Porque o evangelho
é Deus em Cristo reconciliando consigo o mundo (II Co. 5:19).
Sabemos
que na Baixada Fluminense a igreja se torna o centro da vida social e cultural
de muitas pessoas. Se quisermos manter o crescimento dos cristãos evangélicos
em todo o país e na região precisamos caminhar em busca de um novo modelo de
igreja que incentive a participação mais ativa do povo evangélico na sociedade
de forma cidadã e consciente. O método isolacionista tem levado muitos grupos a
se distanciarem do evangelho; destaco isso pelo aumento do número de pessoas
ditas evangélicas, mas sem igrejas, chegando a 14% dos evangélicos nesta
situação. Assim como as pessoas com maior grau de instrução e que têm acesso a
outros tipos de lazer e cultura e interagem com o mundo que por muitas vezes é
endemonizado por este tipo de comportamento.
Não tenho
dúvidas das benesses que a igreja evangélica tem proporcionado no mundo em
geral, mais especificamente na Baixada Fluminense, tais como inclusão social,
apoio espiritual, psicológico e material e reestruturação de famílias. Contudo
precisamos ter uma visão mais profunda do evangelho, onde as pessoas possam se
relacionar com todas as esferas da sociedade, tais como: religião, política,
cultura, educação e lazer sem criar um ser humano alienado que tenha uma fé restrita
capaz de mudar o indivíduo, mas inócua na transformação da sociedade.
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